quarta-feira, 1 de julho de 2026

 

 

 

 Museu do Tiradentino

 Virtual

 

  

Maria Luiza Boaventura Leite

a dama das mãos de fada

 

Maria Luiza Boaventura Leite. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Boaventura Leite é família de raízes que se conectaram a outras e aprofundaram nas Minas Gerais. Vincularam afetivamente regiões distintas e com culturas muito peculiares – de Pirapora a Paracatu, Curvelo a Morro da Garça, Cordisburgo ao portão do Sertão, da jovem Belo Horizonte à tricentenária Tiradentes.

Maria Luiza Boaventura Leite nasceu em Pirapora, em 1º de novembro de 1948. Seus pais eram Edmundo Boaventura Leite e Ilka Vargas Boaventura; nesse núcleo, os filhos são quatro mulheres e dois homens. Ela passou a infância toda em Pirapora, às margens do caudaloso Rio São Francisco – o rio da integração nacional. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento e fez o Curso Normal no Ginásio São João Batista.

Conta que a infância foi maravilhosa, Pirapora era uma cidade cosmopolitana, aerada, leve e ponto de encontros. Tinha o “porto”, tinha a Marinha Mercante, tudo com muito movimento. As férias eram passadas no Morro da Garça, com os avós paternos. Havia a casa da “venda”, o armazém de secos e molhados, onde se podia comprar de tudo: tecidos, cadernos, querosene, fumo de rolo, algodão, artigos de armarinho, feijão, sal... Uma venda com muitas portas. Localizada bem à frente do Morro da Garça. Atualmente, a edificação abriga o Museu Casa Boaventura e seu acervo é formado por fotografias, objetos, móveis, a história familiar e a da localidade Morro da Garça.

 

Museu Casa Boaventura. Morro da Garça-MG.

Fotografia: acervo Museu Casa Boaventura.

 

O Morro da Garça tem origem antiga, encontrava-se na rota do “caminho dos boiadeiros”, a ligar a Bahia com as Minas de Sabará, ainda nos primeiros anos setecentistas. Lá, então, surgiu a Capela de Nossa Senhora das Maravilhas, construída em 1720 e infelizmente demolida em 1950.

A referência mais antiga do Morro da Garça figura na obra Cultura e Opulência do Brasil, de André João Antonil, publicada em Lisboa, em 1711. Morro da Garça, Campo da Garça e Fazenda da Garça foram mencionados nos roteiros dos boiadeiros da Bahia.  O primeiro vigário da capela dedicada à Nossa Senhora das Maravilhas foi o Padre João Batista Boaventura Leite (Barbosa, 1995, p. 212).

O Arraial do Morro da Garça integrava o termo de Curvelo, sua emancipação ocorreu em 1962. Toda mobilização para a emancipação do Morro da Garça contou com o empenho da família Boaventura Leite e seu primeiro prefeito foi José Boaventura Leite Júnior, que tomou posse nesse cargo em 3 de agosto de 1962. A paróquia da nova municipalidade é dedicada à Nossa Senhora da Conceição do Morro da Garça.

Da religiosidade familiar, Maria Luiza Boaventura herdou da avó materna, do Morro da Garça, Maria Amélia, a devoção a São José. Santo forte, o homem escolhido para ser o marido de Santa Maria e o pai de Jesus Cristo.

 

Uma trajetória para a formação

 

Edmundo Boaventura Leite foi um homem de visão. Adquiriu em Belo Horizonte um apartamento em 1967, para receber os filhos no período de formação. Nesse ano, Maria Luiza se mudou para a capital para estudar. Fez o Curso de Nutrição, na Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais e logo começou a trabalhar. Era um curso técnico e naquela época o Curso Superior de Nutrição só havia no Rio de Janeiro; em Minas, primeiro Curso de Nutrição foi em Ouro Preto, aprovado em 1978. Depois, iniciou em Comunicação, na PUC-MG, interrompeu para se casar e mudar para São Paulo. Às vésperas do casamento, seu futuro marido foi transferido para Belo Horizonte. Casou-se, mas não retornou para concluir Comunicação, na PUC-MG. Teve duas filhas: Ana Luiza Boaventura de Andrade e Laura Boaventura de Andrade.

 

Maria Luiza e suas filhas: Ana Luiza e Laura. 

Fotografia: acervo Família Boaventura Leite.

 

Sempre trabalhou em Belo Horizonte. Sempre teve autonomia, inclusive de mobilidade, há mais de 60 anos possui a CNH – Carteira Nacional de Habilitação. Trabalhou no Estado de Minas Gerais, no Procon que foi ligado ao Seplan, cuidou da criação do “Código do Consumidor” e para tal esteve algumas vezes em Brasília, para estudar como o órgão deveria funcionar da melhor maneira possível. Sempre se dedicou à área de alimentos. Em Belo Horizonte, prestou concurso no SESI, ainda dirigido por José de Alencar. Foi aprovada e trabalhou por curto período na Creche Bem-Me-Quer, em Tiradentes.

Maria Luiza conheceu Tiradentes em 1969. Voltou a frequentar a cidade a partir de 1984, quando a irmã Maria José Boaventura alugou o “Chalé” e para Tiradentes se mudou. Um dia, passeando pelo centro antigo, viu uma placa de “vende-se” na casa do Largo do Ó, número 13. Era Carnaval. Teve interesse em adquiri-la e 15 dias após, estava na cidade para assinar a documentação de compra da casa. Logo fez a reforma e uma das moradoras foi a artista visual Maria Lídia Magliani. Somente em 1993 veio viver definitivamente em Tiradentes.

A casa do Largo do Ó número 13 pertencera à Dona Eufrásia, irmã de Dona Trindade do João Capitão; que vendera o imóvel para viver mais próxima à irmã, na Prainha. Era uma casa pequena, mas repleta de história e memória, elemento componente de um dos largos mais charmosos do Brasil: o Largo do Ó, da antiga Vila de São José. Naquela singela edificação, abriu-se, então, a “Maria Luiza Casa de Chá, Café e Bordados”.

 


A Casa Maria Luiza, Largo do Ó, Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz.
 

Foi o primeiro café de Tiradentes. Como ocorreu com o hotel Solar da Ponte, onde Anna Maria Parsons inovou a maneira de se hospedar com charme, elegância e a prestigiar os talentos locais da artesania; Maria Luiza também foi pioneira ao receber para se tomar um bom café e se deliciar com um pão de queijo quente. Era um café, galeria de arte, um ambiente acolhedor.

Maria Luiza se valeu das experiências culinárias familiares – tão enraizadas em Minas. Café com as iguarias mineiras: os biscoitinhos crocantes, a broa de fubá, os sanduiches de carne, as geleias, os bolos, as tortas, os pães recheados, as broinhas de canjica, as quiches salgadas – com nove sabores deliciosos. Para as noites frias: os caldos e as sopinhas fumegantes. Preparava também as comidinhas alemãs, que aprendera com a amiga Zahrle. O ambiente agradável, com boa música, especialmente do compositor Manoel Dias de Oliveira, era propício à boa mesa de café.


Ambrosia de Maria Luiza, receita da avó Maria Vargas, de Paracatu-MG.

 Fotografia: Luiz Cruz. 

 

O carro chefe da Casa era a ambrosia, o mais autêntico manjar dos deuses. Receita de gerações consecutivas da família, que herdara da avó materna Maria Vargas, de Paracatu. A Casa oferecia música ao vivo e recebia muitos artistas que se apresentavam na cidade. Para quem passava por Tiradentes, nada melhor que um bom café. Maria Luiza foi pioneira também na apresentação de sua Casa, ao criar um cartão personalizado, uma imagem delicada sobre os seus produtos oferecidos à clientela do Largo do Ó, com o seguinte texto:


Maria Luiza Casa de Chá, Café Bordados, 

criado pela artista visual Maria José Boaventura, aquarela, 2002.

 

Café de mineiro, com boa prosa...

Primeiro, é preciso não ter pressa, assentar os pensamentos, refrescar a cabeça. O café é que deve ser quente, fumegante, sair lentamente da xícara e ir temperando as palavras. Esperar assar o pão de queijo, sentir o seu cheiro vir lá da cozinha. Enquanto isso, sai da boca do forno a broa prosa, o ouro do milho, inesgotável. Aí, pode surgir um caso, um conto, uma fatia de história ou um fio da memória puxado. Coisas que o mineiro gosta de guardar e dá de graça...

Para adoçar o encontro, consigo, com a infância ou com os avós, é bom mergulhar na ambrosia (alimento dos deuses). Dizem que ela é capaz de resgatar qualquer alma do limbo e devolvê-la sem o pecado original. E doce de abóbora, geleias, biscoitinhos, travessuras para os olhos e o paladar, tantas cores, formas e sabores.

Ao afrouxar assim o tempo, podemos nos tornar seus donos, em vez de seus servos. Numa mesa de café, em Minas Gerais, gastamos sem medo uma coisa que ainda temos: outro tempo, trem difícil de achar por aí pra comprar!

Maria José Boaventura, 2002.

 

Muitos artistas retrataram a casa do Largo do Ó, número 13, dentre eles o pintor local José Damas, que pintou sua primeira pedra com a casa. Ela foi tema de trabalhos das artistas Ucha, Magliani e tantos outros.

 

Largo do Ó e a Casa Maria Luiza. Autor: Zé Damas, pintura a óleo sobre madeira. 

Acervo: Maria Luiza Boaventura Leite.



Casa Maria Luiza, Largo do Ó. Autor: Zé Damas, pintura a óleo sobre pedra.

Acervo: Maria Luiza Boaventura Leite.

 

 

Casa Maria Luiza, Largo do Ó. Autora: Ucha, pintura, acrílica sobre tela. 

Acervo: Maria Luiza Boaventura Leite. 

 

  Casa Maria Luiza, Largo do Ó. Autora: Magliani, guache sobre papel. 

Acervo: Maria Luiza Boaventura Leite. 


 

Maria Luiza na porta do Passo da Paixão do Largo do Ó, 

 exatamente em frente à sua Casa. Fotografia: Luiz Cruz, 2002.

 

Além das obras de arte, diversos objetos antigos de cozinha compunham a ornamentação da Casa de Chá, Café e Bordados. Um item que se destacava era a coleção de bules antigos, em vários formatos, cores e materiais. Maria Luiza sabia a origem de cada um deles, de sua história e de suas trajetórias familiares. Infelizmente, depois que fechou a Casa, por falta de espaço, teve que desfazer dessa coleção, ficando apenas com alguns dos seus favoritos.

 

Bule de chá da Coleção Maria Luiza. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Bules de chá da Coleção Maria Luiza. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Mesmo após fechar o Café, que funcionou por 14 anos, Maria Luiza segue cozinhando. O carro chefe continua sendo a ambrosia. Faz as geleias, os bolos, as tortas, as comidas alemãs. Mas só para os clientes fidelíssimos da sua antiga Casa. Sua ambrosia continua fazendo sucesso e ainda chega a várias localidades do Brasil e do exterior.

 

Uma tiradentina de coração

 

As raízes de Maria Luiza, de Pirapora – seu torrão natal, se adentraram no solo de Tiradentes. Ela se tornou uma tiradentina de coração. Ama a terrinha como raros cidadãos. E acabou sendo presença marcante em todos os movimentos culturais e sociais da cidade.

 

Maria Luiza com grupo a assistir à inauguração das obras de restauração do

 Sobrado Ramalho. Fotografia: Luiz Cruz. 

 

Com o passar do tempo, construiu sua casa, em módulos, na Rua Vereador Antônio Coimbra e mantém um belo jardim. Sempre gostou de plantas e até teve um horto para oferecer boas opções para a jardinagem local. Foi uma das fundadoras do Núcleo Orquidófilo Serra de São José, que realizou diversas exposições, palestras e oficinas de cultivos de plantas, sempre com o objetivo da proteção das espécies da Serra de São José.


Souvenir do Núcleo Orquidófilo Serra de São José. Acervo: Luiz Cruz.

     

Exposição Nacional de Orquídeas, do Núcleo Orquidófilo Serra de São José.

Fotografias: Luiz Cruz. 

 

Participou do Congado de São Benedito, organizado pelo Instituto Cultural Biblioteca do Ó, que contou com o apoio financeiro da Fundação Palmares.  Integrava a Guarda Feminina do Congado. Conta que durante as pesquisas para a construção da indumentária dos congadeiros estava em Portugal. Ao retornar, tudo já estava pronto e ficara maravilhada com as roupas, os adereços, as bandeiras, os detalhes, o bom acabamento e o cuidado que tiveram com tudo.

 

Rede de Solidariedade

 

Maria Luiza sempre foi uma cidadã atenta. Durante a pandemia de Covid-19 muitas famílias passaram por momentos difíceis. Algumas pessoas perderam o emprego, outros tiveram os vencimentos bloqueados. Juntamente com Luiz Cruz e Maria José Boaventura, criaram a Rede de Solidariedade, para apoiar famílias. Inicialmente, com apoio às gestantes e às puérperas. Convocadas pelas Boaventura, várias amigas começaram a tricotar enxovais para os bebês. As doações chegavam, aqueciam os pequeninos e com delicadeza. 

    



Doações para a Rede de Solidariedade, que contou com muitas contribuições.

Fotografias: Luiz Cruz.

  

Descobrimos que muitas famílias se encontravam em grave situação alimentar. A Rede de Solidariedade passou a fornecer cesta básica para essas famílias, eram encomendadas ao supermercado – que as vezes demorava muito para a fazer as entregas. A Rede recebia as doações e as famílias recebiam os produtos. Ninguém sabia quem doava, ninguém sabia quem recebia. Infelizmente, devido à demora para a entrega, tivemos que fazer pessoalmente as entregas de apoio às famílias.

A Rede recebeu e encaminhou roupa de cama, roupa de banho e cobertores. Contribuiu para amenizar aqueles problemas inesperados em decorrência da pandemia.  Foram momento dramáticos, mas também foram momentos lindos, quando tivemos a certeza de que nossos amigos foram solidários e comprometidos com o bem-estar social em Tiradentes. A todos que apoiaram a Rede de Solidariedade seremos eternamente agradecidos.  Maria Luiza teve o cuidado de receber parte das doações e anotar tudo, para prestação de contas. Coisa que só os amantes da transparência e da ética apreciam.

 

Para aquecer o coração e a alma

 

Não tenha dúvida que Maria Luiza ama Tiradentes e os seus moradores. Sempre que tem notícia de que alguém está enfermo ou retornou do hospital após uma cirurgia, lá vem a Maria Luiza com a panelinha de sopa, quente, saborosa e nutritiva para que o convalescente recupere suas energias. Muitas, muitas pessoas já foram contempladas com o caldo, canja ou sopa de legumes dela. Só quem recebeu esse mimo saboroso, sabe o quanto é importante essa gentileza, esse calor humano, para o corpo e para alma.

Sempre visita os amigos e amigas. Gosta de se fazer presente na vida das pessoas que presa. E isso faz a diferença...

 

Maria Luiza e Dona Maria Edna, amiga que morava nas Lagoas, caminho do Bichinho.

 Fotografia: Luiz Cruz.

 

 

Maria Luiza nas Lagoas, onde ia visitar a amiga Dona Maria Edna. 

Fotografia: Luiz Cruz.

 

 

Na arte e na cultura

 

A família Boaventura / Vargas sempre esteve vinculada à cultura. Maria Luiza acompanha os eventos culturais de Tiradentes e de Minas Gerais. Em especial, participa das manifestações de raiz afro-brasileira. Para isso, já realizou diversas viagens, mas aprecia também os concertos, exposições, palestras, lançamentos de livros.  Por certo tempo, integrou o Coral Viva Voz, que realizou diversas apresentações; especialmente, junto ao órgão setecentista da Matriz de Santo Antônio.

 

Cristina Seabra, Maria Luiza e Ricardo Ribeiro Resende – 

lançamento do livro Memória Tropeira, em Tiradentes-MG. Fotografia: Luiz Cruz.


 

Cida Chaves e Maria Luiza, no lançamento do livro 

Mulheres insurgentes na Inconfidência Mineira

Anexo do Museu da Inconfidência, Ouro Preto-MG.Fotografia: Luiz Cruz.


 

Maria Luiza, na celebração Águas de Iemanja, Rua da Cachaça, São João del-Rei.

 Fotografia: Luiz Cruz.

 

Regina Carvalho, Maria José Boaventura, Maria Luiza, Ricardo Ribeiro Resende e

 Walquir Avelar no Reinado de Nossa Senhora do Rosário, Oliveira-MG,

 uma das mais importantes celebrações da cultura afro de Minas Gerais. 

Fotografia: Luiz Cruz.


 Maria Luiza no Engenho Boa Vista, propriedade dos descendentes de

 Dona Antônia Rita de Jesus Xavier, a irmã mais nova do Alferes Tiradentes. 

Fotografia: Luiz Cruz.


 

Cultura Política

 

Maria Luiza passou a juventude em Belo Horizonte e vivenciou bem de perto o que foram os “anos chumbo”, consequência do golpe militar ocorrido em 1964. Pessoas que se manifestavam pela Democracia eram perseguidas, presas, torturadas, mortas e muitas delas tiveram seus corpos desaparecidos. Foram os tempos tenebrosos.

Consciente do valor da Democracia, Maria Luiza sempre participou das manifestações realizadas em Tiradentes: Contra o Genocídio, Contra o PL da Devastação Ambiental, Contra o Racismo Estrutural em Tiradentes, Contra a Anistia para os Golpistas, Pela Democracia, Pela Vida, Pela Educação, Pelo SUS, Pelo Tombamento Federal da Serra de São José Já. Esteve presente em todas. Incentivou e apoiou as caminhadas contra as loucuras promovidas pelo “governo militar” passado. Parou e manifestou contra o racismo estrutural em Tiradentes. Caminhou e oportunizou subsídios para refletir que precisamos “lembrar para não esquecer”, que a ditadura militar é a obscuridade, a corrupção ampla e que mata, além de promover a ignorância do povo.



Maria Luiza em uma das diversas manifestações ocorridas em Tiradentes.

Fotografia: Luiz Cruz.

 

 

Maria Luiza na concentração da manifestação: Contra o PL da Devastação.

 Fotografia: Luiz Cruz.

  

Maria Luiza em uma das manifestações contra o racismo estrutural em Tiradentes-MG.

 Fotografia: Luiz Cruz.

  

Maria Luiza na manifestação Contra a Anistia para Golpistas

Fotografia: Luiz Cruz. 

 

O tempo passa, o tempo voa. Parece que foi ontem que Maria Luiza se transferiu para Tiradentes e adotou a cidade como o seu torrão natal de coração. Continua sua jornada, agora, apenas com mais vagar. Adora cozinhar e preparar suas preciosidades – em especial a ambrosia, o manjar dos deuses. Costura, borda, cuida das plantas e da casa, cuida dos familiares e dos amigos. Aprecia com imensurável felicidade cada minuto que convive com a neta Alice.

O tempo passa, o tempo voa, mas Maria Luiza mantém sua jovialidade firme, repleta de generosidade e refinado senso de humanidade.

 

Luiz Cruz

Nasceu e vive em Tiradentes. É professor, autor e editor. É doutor e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela EAU-UFMG, prestou estágio pós-doutoral em História, na Fafich-UFMG. Especialista em Administração e Manejo de Unidades de Conservação, pela UEMG/U.S.Fish; especialista em Planos Municipais de Cultura, pela UFBA. Estudou artes na FAOP – Ouro Preto e na Escola de Artes Visuais do Rio de Janeiro.

 

 

Referências:

ANTONIL, André João. Cultura e Opulência da Brasil. Lisboa, 1711.

BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Itatiaia, 1995.

BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário da Terra e da Gente de Minas. Belo Horizonte: Secretaria de Estado da Cultura, Arquivo Público Mineiro. Imprensa Oficial, 1985.

LARANJEIRA, Dilce. Ave, Sertão. Belo Horizonte: Ed. do Autor, 2015.

 

 Apoio institucional:

       




25 comentários:

  1. Marisol.jotta@gmail.com1 de julho de 2026 às 05:29

    A Casa de Maria Luísa é uma das minhas primeiras lembranças de Tiradentes. Cheguei aqui aos 26 anos, ainda terminando minha formação em Psicologia na UFMG e indo toda semana para Belo Horizonte. A vida ainda era meio apertada, e eu juntava um dinheirinho para poder ir até lá saborear suas delícias. Era um dos grandes prazeres da minha vida.
    Escutar suas histórias, estar no meio daqueles bules, daquela casa mágica, dos bordados lindos... tudo ali tinha alma. Era um lugar que acolhia, encantava e fazia a gente querer voltar.
    Ver essa tiradentina de coração sendo homenageada é um reconhecimento mais do que merecido. Maria Luísa faz parte da história de Tiradentes e da memória afetiva de muita gente. Parabéns pela linda homenagem. Nada mais justo.

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    1. Marisol Jotta, muito obrigado por sua presença e registro no Museu do Tiradentino - Virtual. Aqui teremos história de nativos e de tiradentinos de coração, como é o caso de Maria Luiza. A Casa Maria Luiza fez história na cidade, suas delícias e sua maneira de receber deixaram boas lembranças. Como profissional da área de alimentos, nos legou muitas ações positivas; ela foi uma das idealizadoras do Festival de Cultura e Gastronomia de Tiradentes, que contou ainda com o apoio de Antônio Maschio, Maria José Boaventura, Mauro Marcelo, Anna Maria Parsons e Vicente Teixeira. O festival decolou e faz sucesso, embora esteja cada vez mais distante de sua proposta inicial. Registrar essas histórias é importante, pois elas se vinculam afetivamente a tantas outras pessoas, como é o seu caso. Grande abraço

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  2. Maria Luiza é uma pessoa encantadora. Voa com sua arte e mantém o pé no chão com sua retidao e comorimissso social. .

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    1. Muito obrigado pelo registro e presença aqui. Maria Luiza tem as mãos de fada, tudo que faz ganha uma outra dimensão, de sabor e de textura. É uma cidadã muito atenta e sabe fazer diferença junto à comunidade. Abraço

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  3. Me sinto honrada e abençoado por desfrutar da sua amizade tão cheia de carinho e cuidado.Linda e merecida homenagem. Parabéns, Luiz Cruz!

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    1. Muito obrigado pela presença aqui. A Maria Luiza é amiga muito querida e presença de algria em nossas vidas. Abraço

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  4. Maria Luiza, tiradentina de coração, é da turma dos “especiais”! Bela homenagem!

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    1. Thelma, muito obrigado por sua presença aqui no Museu do Tiradentino. Maria Luiza é um tiradentina de coração, uma das mais vibrantes e que tem muito orgulho da nossa terrinha. Abraço

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  5. Sebastião Aimone Braga1 de julho de 2026 às 08:29

    Conheço pouco da Maria Luiza, mas conheço mais ainda da alma artística da família, do engajamento social, da cultura, da história da família por onde passa. Maria Sílvia é vizinha em BH, artista de mão cheia, generosidade e talento saltando aos olhos. Marijô é amiga querida, talento na aquarela e nas ilustrações premiadas, da luta por boas causas. Ilka brilha no Sul, vida acadêmica muito reconhecida, engajada. Tantas histórias e talentos fazem essa família Boaventura de muitas venturas merecidas!

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    1. Caro Sebastião, a Família Boaventura vinculada à Família Vargas é dadivosa. Cada um com o seu talento e sua jornada. Maria Luiza é uma cidadã muito compromtida com a cultura e a vida social de Tiradentes. Onde ela chega, com certeza faz a diferença para o positivo. Muito obrigado e abraço

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  6. Conheço apenas Maria Sílvia, artista plástica e poeta inata.

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    1. Raquel, muito obrigado pela presença aqui. A Família Boaventura é talentosa. Maria Luiza chegou em Tiradentes e se tornou uma nativa de coração. Ela sabe como poucos fazer tudo com um toque especial; por isso, consideramos suas mãos tão especiais. Abraço

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  7. parabéns querida amiga!

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    1. Olá, obrigado pelo registro. Realmente, Maria Luiza é uma amiga muito querida e considerada. Abraço

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  8. Linda e mais que merecida homenagem! Muito orgulho, todos nós aqui do Planalto Central, de Brasília, Primos do ramo dos Vargas Mendes Campos, da Co-família dos Boaventura Leite... Parabéns e gratidão por registrar e nos brindar com esse puro, belo, verdadeiro e sentimental texto, em tudo, a cara da Prima Maria Luiza!

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    1. Muito obrigado pela presença aqui. Maria Luiza tem grande relevância para Tiradentes, por suas ações pioneiras. Ela foi a primeira a inscrever suas funcionárias da Casa de Chá, Café e Bordados para o primeiro Curso de Segurança Alimentar, ocorrido no 1º Festival de Gastronomia de Tiradentes. Capacitar a equipe é necessário, aprimora, eleva a autoestima e oferece ao cliente o melhor possível. Por isso, Maria Luiza foi destaque do Mérito Empresarial da Federaminas - justa homenagem. Como dito, ela sabe fazer a diferença. Abraço

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  9. Foi uma honra ter conhecido Maria Luiza em Tira-dentes, mãos de ouro no bordado e nos quitutes, bondade, gentileza, irradia amor.
    Parabéns pela publicação, ela merece esta homenagem

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    1. Muito obrigado pela presença aqui e pelo registro. Realmente é inacreditável o que a Maria Luiza faz com aquelas mãos de fada. Cada bordado dela é uma verdadeira obra de arte, tanto na frente quanto no verso - o acabamento é perfeito. Aquelas mãos para lidar com os quitutes são formidáveis. É uma justa homenagem, feita de coração. Abraço

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  10. Parabéns por mais este trabalho tão rico e enternecedor, Luiz Cruz! Você, brilhante como sempre, nis trouxe todas as informações importantes sobre essa grande mulher que é a Maria Luiza! Eu a conheci através do Ricardo Resende, que me levou ao famoso Café, e ali me encantei com a pessoa e com o local tão atraente e agradável. Até hoje, não comi uma Ambrósio tão deliciosa quanto a dela. E sem contar as outras gostosas, que nos enchem os olhos, o coração e o estômago! Vida longa a ela e a você, amigo!

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    1. Thonny Barcellos, amigo querido, muito obrigado pela presença aqui no Museu do Tiradentino - Virtual. O Ricardo Ribeiro Resende foi daqueles clientes fidelíssimos da Casa Maria Luiza e sempre levou os seus amigos diletos para apreciar as delícias produzidas por ela. Tomar café naquela casa tornou-se expriência memorável - por vários aspectos, primeiro a dedicação da proprietária, os quitutes, a decoração, o clima agradável. A ambrosia sempre foi imbatível, a receita dos deuses. Amigo, ainda bem que você aproveitou a Casa Maria Luiza e hoje só nos ajuda a confirmar que no Largo do Ó havia um recanto sagrado. Grande abraço para você.

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    2. Infelizmente o corretor me pregou uma peça e não percebi que alterou ambrosia para Ambrósio; nos para nis e gostosas para gostosuras. Perdão aos leitores...

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  11. Esqueci de me identificar no comentário acima!
    Abraços!!

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    1. Thonny Barcellos, obrigado. Você e outros amigos de Oliveira-MG tiveram o prazer de tomar aquele café. Ótimo que aproveitaram a boa mesa daquela Casa tão especial. Abraço

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  12. Seu compromisso com o bem comum, a solidariedade e a promoção da dignidade humana demonstra que a transformação da sociedade começa com atitudes concretas e um coração comprometido com o próximo. Seu trabalho e engajamento fazem a diferença na vida de muitas pessoas.
    Parabéns, Maria Luiza Boaventura, pelo seu incansável compromisso com as causas sociais e por inspirar tantas pessoas por meio de suas ações.

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    1. Muito obrigado pelo registro aqui. Maria Luiza é uma cidadã do seu tempo, é comprometida com a VIDA. Além das habilidades com as mãos de fada, ela consegue participar atentamente da VIDA social de Tiradentes, como raras pessoas conseguem. Ela faz a difereça por onde passa. Abraço

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