terça-feira, 19 de maio de 2026

      

Museu do Tiradentino

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Jorge – o retratista de Tiradentes


 Jorge Carioca. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Jorge Braz da Trindade, o Jorge Carioca, acabou conhecido também como Jorge Retratista e Jorge Fotógrafo. Tudo começou em 1982, durante o Carnaval, quando veio passar uns dias em Tiradentes e fez algumas fotografias juntamente com seus irmãos. O ato de fotografar e ser fotografado ficou gravado em sua memória para sempre.

Jorge Carioca teve informações com o amigo Antônio Pedro Barbosa sobre um curso. Gostou da ideia, viajou, fez a prova de seleção e foi aprovado para o Curso Técnico de Agropecuária, estudou em Urutaí, no estado de Goiás. Após se formar, retornou a Tiradentes, quando se lembrou da Fotografia e dela fez o seu meio de sobrevivência. Parte de sua vida foi dedicada à Fotografia, ao registrar a vida sociocultural da cidade. Ao longo das décadas, fotografou as cerimônias de batizado, primeira comunhão, casamento, formatura, aniversário, Carnaval, Semana Santa, Festa de Passos e as ações da Sociedade São Vicente de Paula. Além das atividades esportivas dos clubes Aimorés e Grêmio. Jorge Retratista realmente retratou os personagens e a vida cotidiana da cidade.

 

                                                          

               

João Capitão – fotografia de autor não identificado, acervo da famíla; Dona Trindade – Fotografia de Luiz Cruz.  Os pais de Jorge Braz da Trindade.

 

Filho de João Paulo da Trindade e Maria da Trindade Silva, nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de novembro de 1958 – o sexto filho dos dez que o casal teve. Os primeiros filhos nasceram em Tiradentes, os demais no Rio de Janeiro. Em 1967, o casal e a prole se mudaram definitivamente para Tiradentes. Foram morar numa casa na Prainha – a atual Rua Custódio Gomes.

João Paulo era filho do velho João Capitão, um dos mais habilidosos ferreiros da cidade. Com o pai aprendeu tudo sobre o tradicional ofício de ferreiro, os seus segredos e especialmente o refinado desenho das peças produzidas desde os tempos coloniais. Ficaram conhecidos como João Capitão, tanto o pai quanto o filho. Ao retornar a Tiradentes só conseguiu trabalhar como servente de pedreiro, porque praticamente não havia trabalho na cidade e tinha numerosos filhos para “tratar”. A família passou por momentos difíceis, naqueles idos da década de 1960, quando Tiradentes ainda estava adormecida, em profunda crise econômica.

     

 

Jorge Retratista no Largo das Forras e no Bar do Francisquinho. Fotografias: Gerarde (Alface). Década de 1980.

 

Rememorar é preciso. Então, Jorge nos conta como foi viver na Prainha. Era uma longa trilha, de um lado havia do Córrego do Moinho e do outro o Ribeiro Santo Antônio. Um caminho ladeado por bananeiras e bambuzais. Águas cristalinas corriam tanto no Ribeiro Santo Antônio quanto no Córrego do Moinho. Acima ficava o Açude e mais abaixo, bem atrás do Matadouro, o moinho de fubá, para movimentá-lo, havia a água desse córrego, que também era usada na limpeza do Matadouro.

Ainda bem menino, tomou sangue quente de vaca abatida no Matadouro e levava um pouco para a mãe, a Dona Trindade, fazer cozido para a família. Quando havia dinheiro, comprava um pedaço de fígado, cortado “no olho”, em tira e sem pesar. Levava o bofe e a fissura para a mãe preparar para todos.

A irmã Martinha fazia pipas e a meninada ia à casa da Prainha para comprar e soltar no Alto de São Francisco. A pipa era novidade, porque os meninos estavam acostumados com os papagaios tradicionais. Com as vendas de pipas, Martinha ajudava na manutenção da casa. Ainda muito pequeno, Jorge foi vender pastel para a Chica do Mulatão. Colocava tudo em um balaio e saia pela rua. Ganhava 20% do faturamento e o dinheiro ia para ajudar a família.

 

Jorge Retratista, seu irmão Zé Carioca e amigos. Bar do Francisquinho. Década de 1990. Fotografia: Gerarde (Alface). 

 

Em Tiradentes havia duas possibilidades de trabalho – na Cerâmica Progresso, onde os salários poderiam atrasar meses consecutivos ou nas oficinas de ourives. Antes de entrar na adolescência, Jorge Carioca começou a trabalhar na Oficina de Ourives do Cabral. Torcia arames num motor, para a confecção de bijuterias. Um dia o arame arrebentou e bateu em seu olho direito. Perdeu a visão. Era 1970 e o acidente deixou a família Trindade abalada. Contou apenas com o apoio de Maria Barbosa para se tratar e logo retornar ao trabalho. Dois anos após o ocorrido, teve sua Carteira de Trabalho assinada.

Estudou no Ginásio Dom Delfim Ribeiro Guedes e por três meses teve que se afastar dos estudos. Trabalhava até às 17h e as aulas começavam às 18h. Na casa da Prainha, não havia energia elétrica e para estudar tinha que ser com a luz da lamparina. Foram tempos difíceis e de superação.


Cenira, Jorge e Mariana. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Depois de formado em Urutaí, já em Tiradentes, lembrou das fotografias feitas em 1982. Então, comprou uma “máquina fotográfica” Tuka, que fazia fotos 9 X 9, em preto e branco, começou a fotografar e a atender as encomendas.


“Câmera” Tuka, similar à primeira que Jorge Retratista teve. Imagem disponível na internet.


Comprava os filmes, fotografava e mandava para revelar em São João del-Rei. Quando fotografava eventos maiores, colocava as fotografias afixadas num painel no Bar do João Rosa. Na verdade, era uma tábua de fundo de guarda-roupa que ele aproveitou. Durante o Carnaval, ia acrescentando as fotos dos dias consecutivos e na Quarta-feira de Cinzas recolhia tudo. Nessas ocasiões, os filmes eram revelados em Barroso, ia para lá e aguardava pela revelação e voltava com os álbuns. Tiradentinos e turistas compravam suas fotografias.

Passou constrangimento por causa de sua câmera bastante modesta. Os fotógrafos amadores sempre perguntavam como conseguia fazer fotos com um equipamento tão simples. Com o passar do tempo conseguiu comprar uma câmera melhor, até que conquistou a Nikon FM2 e suas fotografias ficaram com excelente resolução.


Câmera Nikon, similar à uma das que Jorge Retratista teve. Imagem disponível na internet.

 

Dedicando-se mais à fotografia, passou a comprar os filmes em rolos grandes e rebobinava de acordo com os eventos a serem registrados. Conseguiu emprestado de Paulo Marostegan um laboratório de revelação fotográfica. Teve que aprender sozinho como lidar com os materiais e obter resultados satisfatórios.

Esteve nas escolas do município para fazer retratos dos alunos, aquela fotografia tradicional do menino ou da menina sentado juntamente com material escolar. Anualmente, ia ao Grupo Escolar Basílio da Gama fotografar os alunos. Fotografou as manifestações políticas locais, em especial os comícios realizados na sede e na zona rural, independente das questões partidárias. 

 

    Mariana acompanhada de seu pai – Jorge Retratista, no dia de sua formatura. Fotografia de autor não identificado. 

 

Ficou conhecido como Jorge Retratista e nos grandes eventos conviveu com os principais “fotógrafos” da região, como Eros Conceição, Mauro do Projeto, Miltinho, Dimas, Lúcio, Anselmo, Mário Sergio, João Hipólito, Murilo e Edson.

Sempre fotografou as atividades do Jubileu da Santíssima Trindade, em especial a procissão com a imagem do Pai Eterno; geralmente, os devotos que carregam o andor estão a pagar promessa e a fotografia era o ex-voto oferecido e depositado da Sala dos Milagres do Santuário da Santíssima Trindade.

 

Sala dos Milagres, com as paredes revestidas por fotografias. Santuário da Santíssima Trindade. Fotografia: Luiz Cruz.


Jorge Retratista na Capela so Santíssimo – Matriz de Santo Antônio e junto ao andor com a imagem do Pai Eterno. Fotografia de autor não identificado.

 

Puxando o fio da memória, conta que ia ao Bichinho e ao Elvas de bicicleta para fazer retrato 3 X 4 dos moradores, principalmente para documentos. Fotografou o Bloco Ver-Te-Cana quando saiu pela primeira vez – que neste ano completou 40 anos; fotografou as Pastorinhas da Dona Ana de Menezes; fotografou as procissões do Bichinho, sua primeira Semana Santa e tantos outros momentos. No Bichinho, seus melhores clientes foram o Zezinho e o Sô Hélio do Caminhão.


Jorge Retratista no primeiro Bloco Ver-Te-Cana. Fotografia: Gerarde (Alface).


Fotografou as manifestações da cidade, uma delas foi a da Antiga Cadeia, quando foi inaugurado o Museu de Arte Sacra Tancredo Neves. A pedido de Dona Maria do Carmo Nabuco, através de contato do João da Rosa, fez mais de 600 fotografias da manifestação que teve o lema “Eia, eia, queremos a Cadeia”. Fotografou a manifestação do povo de Tiradentes contra a desativação do trem da EFOM-Estrada de Ferro Oeste de Minas, quando as instituições locais e o povo local se mobilizaram e impediram a circulação da Maria Fumaça. O trem ficou retido na Estação de Tiradentes. A manifestação causou impacto, foi notícia nacional. O trecho entre Tiradentes e São João del-Rei foi preservado – uma grande vitória da população tiradentina. Jorge Retratista estava lá e registrou tudo. Fotografou ainda a primeira visita dos Trapalhões e da Xuxa a Tiradentes, quando estavam no auge da carreira e por onde passavam, causavam grandes mobilizações dos fãs.

Esteve presente nas cenas de violência e assassinatos, fotografou as vítimas. Conta-nos que numa sexta-feira de Carnaval fotografou um personagem no Bloco das Domésticas e no sábado o fotografou assassinado.

Teve clientes especiais que contratavam o seu trabalho e destaca que Dona Leonor Gomes foi a melhor cliente, porque ela participava de tudo e gostava de ser fotografada. Outras boas clientes foram: Alice Lima Barbosa, Elzira Lopes da Cruz e Ondina Rodrigues do Rosário.


Jorge Retratista, a saudosa Dona Maria do Mulatão e Cristiane. Acervo: Jorge e Família.


Como técnico, trabalhou na Horta do Abrigo Tiradentes, contratado pela Prefeitura Municipal. Cuidou do pomar e fez inovações, uma delas foi produzir mudas de ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) para vender para os turistas. Participou da Semana do Meio Ambiente e lá recebeu os alunos das escolas, inclusive da zona rural. Descobriu uma doença que atacou a “batata baroa” e passou uma semana na UFLA, em Lavras, contribuindo para as pesquisas e solucionar o problema. Fez convênios com o SENAR para a melhoria da produção de queijos, biscoitos, doces, rapaduras, legumes, verduras e mel. Participou de um programa do PT, de compra antecipada de alimentos e valorização dos produtores rurais. Conseguiu muitos alimentos para a distribuição gratuita na cidade. Foi pioneiro na introdução da inseminação artificial em bovinos e acompanhou todo o processo, até o nascimento dos primeiros animais. Ou seja, como técnico, contribuiu para a melhoria da qualidade de vida de inúmeras famílias.

Sempre gostou de futebol. Participou de torneios e campeonatos. Lembra dos times São José, do Chiquinho da Florinda; Galinho, do Beto do Luiz Carcereiro; Ajax, do Zé Norberto e Sheshell; Fazenda, do Paulo André.

 

Cenira, Jorge e Mariana. Fotografia: Luiz Cruz.


Em 1984, Jorge Retratista casou-se com Cenira Maria dos Santos Trindade e tem a filha Mariana dos Santos Trindade. Ao se casarem, ele foi morar na casa do pai de Cenira – Joaquim dos Santos, no bairro Cascalho.

Joaquim dos Santos foi funcionário do Iphan, trabalhou nas obras de restauração realizadas em Tiradentes, a partir da década de 1940. Um dos primeiros moradores do Cascalho, antes mesmo da abertura das ruas. Além dele, moravam mais três famílias, as das donas Dalzira, Polola e Conceição. 

   


Dona Trindade, na Matriz de Santo Antônio e Mariana no cenário do Festival de Gastronomia. Fotografias de Jorge Retratista. Acervo: Família Trindade.

 

Jorge é um homem de fé. É devoto de São Jorge, santo forte e guerreiro. Nas religiões de matriz afro, São Jorge é sincretizado com o orixá Ogum. Vincula-se às figuras guerreiras, associadas ao ferro e à luta pela proteção. É também devoto fervoroso da Santíssima Trindade.


Jorge Retratista e São Jorge, o santo de sua devoção. Fotografia: Luiz Cruz.


Ao longo das décadas, fotografou muito. Acumulou inúmeros negativos que ia guardando. Chegou a ter uma caixa de embalagem de fogão cheia de negativos. Sem espaço para continuar guardando, colocou fogo e destruiu tudo. Muitas pessoas encomendavam as fotografias e depois não pagavam. As fotografias se acumulavam e os prejuízos também. Com o passar do tempo, as fotografias encomendadas eram centenas e de pessoas que nem lembrava mais quem eram. Certo dia, juntou tudo e queimou. Conta: “livrei-me daquele peso”.

 

Certificado de reconhecimento de sua atividade de fotógrafo.

 

Jorge Retratista, que perdeu o olho direito quando trabalhava, ainda criança, acabou ficando com baixa visão, devido aos problemas de saúde e principalmente a diabetes. Porém, ao longo de quase cinco décadas fotografou os tiradentinos e sua manifestações culturais.

Jorge Braz da Trindade foi o homenageado do Festival de Fotografia de Tiradentes, edição 2026. Na cerimônia de abertura, ocorrida no Centro Cultural Yves Alves, sob a coordenação do fotógrafo Eugênio Sávio, fizemos a apresentação do retratista de Tiradentes – história, memória, pertencimento e fotografia. O homenageado também falou, contou um pouco do trabalho com a fotografia e foi uma fala forte, emocionante, mas depois descontraída.



Abertura do Festival de Fotografia de Tiradentes – Eugênio, Jorge, Cenira e Mariana. Centro Cultural Yves Alves. Fotografia: Luiz Cruz.

 


Abertura do Festival de Fotografia de Tiradentes – Jorge, Cenira e Mariana.Centro Cultural Yves Alves. Fotografia: Luiz Cruz.

Abertura do Festival de Fotografia de Tiradentes – Luiz Cruz, Eugênio e Jorge. Centro Cultural Yves Alves. Fotografia: Mariana.

 

Abertura do Festival de Fotografia de Tiradentes – os fotógrafos Gui Christ e Jorge. Centro Cultural Yves Alves. Fotografia: Luiz Cruz.

 

Justa e merecida homenagem! O Festival de Fotografia de Tiradentes foi um grande sucesso, com diversas exposições, lançamentos de livros, apresentações de portfólio, palestras, workshops e rodas de conversas. E o melhor de tudo, o encontro de muitos amigos fotógrafos do Brasil e do exterior. Jorge gostou imensamente da exposição M’Kumba, do fotógrafo Gui Christ. Tanto que no dia seguinte, mesmo com grave problema de mobilidade e baixa visão foi assistir a palestra do prestigiado fotógrafo e estudioso das religiões de matriz afro. Jorge e Christ se entenderam bem, ambos são protegidos por Ogum.

Axé!  

Luiz Cruz


Agradecimentos à Família Trindade e ao Festival de Fotografia de Tiradentes




17 comentários:

  1. Meu amigo Jorge👏🏾

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  2. Parabéns meu grande amigo

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  3. Bela caminhada meu amigo

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    1. Obrigado pela presença aqui. Jorge percorre um belo caminho.

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  4. Parabéns 👏👏👏👏 tive a honra em conhecer essa pessoa tão especial para mim,me acolheu de braços abertos quando cheguei a 14 anos vindo de BH c meu filho menor, gratidão a vc Sr Jorge e toda família, obrigada c carinho 💕 merece todo esse reconhecimento público e histórico 🙏👏👏👏

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    1. Obrigado pela presença aqui no Museu do Tiradentino. Jorge e a Família Trindade se destacam na cidade, gente boa.

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  5. Salve tio Jorge! Grande homem, grande coração! ❤️

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  6. Brilhante trabalho de valorização dos tiradentinos. Sr. Jorge merece.

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    1. Eugênio Sávio, obrigado pelo registro. O melhor que temos é o tiradentino. Jorge é uma pessoa que construiu bela história de vida. Abraço

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  7. Meu amigo fico muito contente de ver esta homenagem de seu trabalho e vida de homem bom honesto e principalmente um grande amigo
    Gostei muito abração

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    1. Obrigado pela presença aqui no Museu do Tiradentino. Jorge é um bom cidadão e trouxe grande contribuição para a memória da cidade. Merece. Abraço

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  8. Obrigada Luiz pela lembrança dessa ilustre pessoa! Salve Jorge!

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  9. Parabéns pela homenagem ao Jorge, que contribuiu muito para as nossas memórias. E também pela querida família dele. Abraços da Thelma

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    1. Thelma, muito obrigado pela presença aqui no Museu do Tiradentino. O Jorge escreveu um história linda e nos legou um belo universo de imagens do povo da nossa amada Tiradentes. Abraço para você.

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