Museu do Tiradentino
- virtual
Tiradentes, a antiga Vila de São José, foi a primeira ocupação da região do Rio das Mortes. Ao longo do tempo, vivenciou o fausto com a produção aurífera e com os recursos do extrativismo se estruturou arquitetonicamente, em uma malha urbana singela e decorosa. Seus habitantes viram esgotar as jazidas de ouro e sentiram na pele a opressão portuguesa na arrecadação dos impostos – o quinto do ouro. Rebelaram-se, promoveram insurgências e sonhos libertários. Idealizaram uma República. Após denúncia, prisão e execução do líder, o são-josefense Joaquim José da Silva Xavier, a vila passou por longo período de declínio econômico e sucessivas perdas de território. No início do século XX, os poetas que passaram pela antiga vila, referiram-se a ela como “cidade morta”.
Os séculos se passaram. Nos primórdios eram só os indígenas, depois chegaram os paulistas, os portugueses, os de outras capitanias, os africanos, os estrangeiros, os adotivos. Seus moradores garimparam, trabalharam, edificaram, plantaram, subsistiram. Conheceram o brilho do ouro e sua bonança, mas também vivenciaram amarguras com o isolamento e a economia devastada, após o malogro da Inconfidência Mineira e o esgotamento das jazidas auríferas. Conseguiram manter preservado o seu conjunto arquitetônico e paisagístico, que tanto impressionou os viajantes modernistas da expedição de 1924. Isso acabou por se tornar uma das principais inspirações para se pensar na preservação do Patrimônio Cultural do Brasil.
Na
década de 1970 começou a despertar atenção e teve o seu primeiro museu,
instalado na casa do inconfidente Padre Toledo, pela Fundação Rodrigo Melo
Franco de Andrade. Mas somente a partir dos anos 80, Tiradentes teve seu
patrimônio revitalizado e o turismo se tornou sua principal fonte econômica.
Ao
povo de Tiradentes, aos nativos e aos de coração, devemos a preservação dessa
cidade, com o seu acervo cultural e ambiental. Cada um construiu uma história
nessa terra, cada um tem história para contar. Quando preparávamos para
celebrar os 300 anos da instalação do Arraial de Santo Antônio, 1702 / 2002 –
fotografamos 900 pessoas da cidade. Desse total, selecionamos 300 fotografados
e montamos a exposição Tiradentes e os Tiradentinos, no Centro Cultural
Yves Alves. Revestimos as paredes com as fotografias das pessoas que viviam e
se orgulhavam da terrinha amada. Para celebrar os 300 anos de elevação do
Arraial de Santo Antônio à Vila de São José – ocorrida a 19 de janeiro de 1718,
programamos apresentar os fotografados de 2002, juntamente com as fotografias
de 2018. Conseguimos registrar mais de 100, mas tivemos que abandonar a ideia
porque alguns haviam falecido, outros agendavam o dia para fazer a fotografia,
mas na hora diziam que não estavam bem. Ainda, outros pediram para não ser
fotografados.
Ficamos
com os 300 fotografados de 2002 e mais de 100 entrevistas registradas em 2018 –
um material precioso do nosso Patrimônio Humano.
Esse
material é nosso acervo, mas queremos compartilhar com a comunidade. Por isso,
criamos o Museu do Tiradentino – Virtual. Vamos compartilhar as
fotografias e as entrevistas. Algumas inseridas além dos 300 fotografados em
2002, por questões estratégicas, consideração à história e à vivência de cada
um.
O
texto do catálogo da exposição Tiradentes e os Tiradentinos, ocorrida em
2002, é de autoria do jornalista e advogado Ângelo Oswaldo de Araújo Santos.
Trata-se de um dos maiores defensores da proteção do Patrimônio Cultural de
Tiradentes, sócio-fundador da SAT-Sociedade Amigos de Tiradentes, que a partir
de 1980, executou diversos projetos que resultaram na revitalização local. Ele
era, então, o Secretário de Estado da Cultura e é o atual prefeito da antiga
Vila Rica, hoje Ouro Preto. Esse texto, expressa bem a nossa proposta em
homenagear a cidade e os seus habitantes:
Acareação de Tiradentes
Entre
as iniciativas que assinalam o tricentenário do surgimento do núcleo urbano de
Tiradentes, vai permanecer por longos anos na memória da cidade a exposição de
fotografia concebida e curada pelo artista Luiz Cruz.
Desde
muito mais jovem um militante das melhores causas tiradentinas, experimentado
em frentes de ataque e de resistência, ele conhece fundamente a paisagem em que
se inscreve. Nesse trabalho, parece inspirado na grande pintura parietal da
capela de São Francisco de Paula, ao recolher rostos emblemáticos e instalar
como um grande ex-voto, o memorial dos 300 anos.
Enquanto
três séculos nos contemplam da Ponta do Morro, 300 caras nos olham nos nossos
olhos e nelas nos miramos a nós mesmos, em busca, talvez, do significado da
nossa presença no tempo, na trama da vida, na reviravolta do mundo.
Terra
dos homens, a cidade se refaz nas imagens que testemunham sua permanência. Encará-la
com a consciência dos seus desafios, do nosso compromisso e das potencialidades
de cada qual é o que nos pedem os retratos de Tiradentes. Com cara e coragem,
despidos de carapuças e de máscaras, estamos diante do enigma. Quem somos e o
que somos no espelho da saga?
Ângelo
Oswaldo de Araújo Santos
Secretário
de Estado da Cultura de Minas Gerais e
sócio
fundador da SAT – Sociedade Amigos de Tiradentes
Pintura parietal da Capela de São Francisco de Paula, obra de G. Rodrigues, 1942.Tiradentes-MG.
Assinatura da pintura parietal da Capela de São Francisco de Paula, Tiradentes-MG. (Pintor G. Rodrigues, de S. S. do Paraíso – 16-3-1942)
Como
disse Ângelo Oswaldo, ao se referir à pintura da Capela de São Francisco de
Paula, que retrata a cena da primeira comunhão de uma menina, lá estão diversas
pessoas da cidade, todas já partiram e deixaram saudades. Agora, elas compõem
nossa história e memória.
Acompanhe
as publicações e encontre aqui no Museu do Tiradentino histórias e
imagens de cidadãos que colaboraram para a preservação do nosso Patrimônio
Cultural e Ambiental. Alguns registrados em 2002 já partiram, outros estavam
bem jovens, certos ainda bebês e ao longo desse tempo estão escrevendo suas
histórias de vida. Então, registrar é preciso!
Seja
bem-vindo ao Museu do Tiradentino.
Luiz Cruz
Nasceu e vive em Tiradentes. É
professor, autor e editor. Estudou artes na FAOP – Ouro Preto e na Escola de
Artes Visuais do Rio de Janeiro. Graduado em Letras pelo INCA/UFSJ, doutor e
mestre em Arquitetura e Urbanismo pela EAU-UFMG, prestou estágio pós-doutoral
em História, na Fafich-UFMG.
Que belo texto! Parabéns por tamanho conteúdo, incrível!
ResponderExcluirMuito obrigado pela presença aqui no Museu do Tiradentino. Breve postareremos sobre o primeiro homenageado. Aguarde. Abraço.
ExcluirBela iniciativa. Desejo sucesso e bom trabalho.
ResponderExcluirGratidão. Essa ideia estava na gaveta, juntamente com centenas de fotografias. Agora vou compartilhar. Acompanhe aqui no Museu do Tiradentino. Abraço
ExcluirQue maravilha! Tenho certeza que vamos amar. Parabéns pela iniciativa, Luiz Cruz! Você é um cidadão exemplar. Abraços da Thelma
ResponderExcluirThelma, muito ovrigado pela presença. O melhor que Tiradentes tem é o Tiradentino. Vamos compartilhas as histórias e as fotografias. Aguarde. Abraço
ExcluirParabéns Luiz. Muito importante a valorização de todos que ajudaram a construir a história de Tiradentes. Quem sabe um dia a ideia se torne presencial.
ResponderExcluirMuito obrigado. Todos são importantes para a história da cidade e vamos compartilhar o nosso acervo. Qum sabe um dia se concretize o Museu do Tiradentino físico e material - seria um sucesso. Abraço
ExcluirQue ótima iniciativa do museu virtual.Parabéns
ResponderExcluirMuito obrigado. Vamos iluminar histórias, personagen, fotografias. Abraços
ExcluirParabéns, Luiz. Excelente e importante proposta. Desejo sucessos e bons trabalhos. Abraço, Diná.
ResponderExcluirDiná, querida, muito obrigado por sua presença no Museu do Tiradentino, breve teremos aqui muitas histórias de vida. Abraço
ExcluirParabéns por mais esta iniciativa,, Luiz!
ResponderExcluirMuito obrigado. A ideia surgiu, mas fiquei postergando; agora o Museu do Tiradentino está tornando realidade. Aguarde um pouco mais. Abraço
ExcluirQue maravilha!!! Como é bom saber mais da nossa cidade e da nossa gente. Obrigada tio Luiz❤️
ResponderExcluirProfessora Bruna, obrigado pela presença aqui. É muito bom saber que teremos uma professoara da Rede Municipal de Ensino de Tiradentes acompanhando as publicações do Museu do Tiradentino. Aguarde um pouco mais. Abraço
ExcluirParabéns pela iniciativa do Museu Virtual. Excelente texto.
ResponderExcluirMuito obrigado. O Museu do Tiradentino - Virtual contará muitas histórias - de pessoas muito conhecidas e reconhecidas, outras apenas anônimas. Breve, aqui. Abraço
ExcluirParabéns pela iniciativa. O texto ficou excelente.
ResponderExcluirAmigo Valdo, companheiro de jornadas pela Educação Patrimonial e Ambiental, vamos apresentar os personagens da nossa terrinha amada aqui. Conto sempre com o seu apoio e sua valorosa participação. Abraço
ExcluirParabéns, primo Luiz Cruz. Ficou excelente seu texto , falando de nossa linda cidade de Tiradentes e de sua gente .Que fez parte dela no passado.
ResponderExcluirMuito obrigado. O povo é a alma da cidade. Sem história, sem gente, tudo vira apenas cenário. Temos patrimônio porque alguém construiu, temos patrimônio porque alguém preservou. O Museu do Tiradentino vai iluminar a história dessas pessoas. Aguarde, brevemente aqui. Abraço
ExcluirÉ bom q tivemos e tenhamos pessoas tão comprometidas com o patrimônio humano, material, ambiental, arquitetônico, histórico e artístico. Nao é pouca coisa, hein, Luis e cia?
ResponderExcluirMuito obrigado. Estamos aqui e precisamos mostrar as potencialidades da nossa Tiradentes. São muitos os que colaboraram e agora chegou a vez de apresentar as histórias. Seja bem-vindo ao Museu do Tiradentino. Abraço
ExcluirQue maravilha, Luiz! Parabéns pela criação deste Museu👏👏👏👏
ResponderExcluirLuiz Cruz, quanta dedicação, tanto empenho, tantas riquezas! Gratidão pelas pesquisas e registros vivos e permanentes, pela preciosa colaboração. Seguimos tentando registrar parte de seu inventário sociocultural gigante no nosso Banco de Dados/Portal São João del-Rei, Tiradentes e Ouro Preto Transparentes: https://saojoaodelreitransparente.com.br/works/view/1305
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